Os golpes online mais comuns no Brasil seguem poucos roteiros: falso suporte do banco, Pix induzido, phishing, WhatsApp de falso parente, loja ou boleto falso, falsa renegociação de dívidas e promessas de dinheiro fácil. Em todos, o criminoso precisa que você aja com pressa e entregue senha, código ou dinheiro por conta própria, e a defesa é desacelerar e confirmar por um canal oficial.
Atualizado em outubro de 2026. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação profissional.
Resposta rápida
- Banco não pede senha, token nem código de SMS por telefone ou mensagem, e nunca manda transferir dinheiro para “conta segura”.
- Na dúvida, encerre o contato e ligue você mesmo pelo número do cartão ou use o aplicativo oficial.
- Pagamento só está confirmado no extrato do seu banco, nunca no print do comprovante.
- Caiu no golpe? Ligue ao banco agora, conteste o Pix no aplicativo (prazo de até 80 dias), troque senhas e registre boletim de ocorrência.
Neste artigo
- Como os golpes funcionam: engenharia social
- Os golpes online mais comuns e como se proteger
- Regras do Pix que ajudam quem sofreu golpe
- Checklist de proteção no dia a dia
- Caí em um golpe: o que fazer na primeira hora
- Erros comuns
- Perguntas frequentes
- Conclusão
- Fontes
Como os golpes funcionam: engenharia social
A CERT.br, em sua Cartilha de Segurança para a Internet, define phishing como a fraude em que o golpista tenta obter informações pessoais e financeiras combinando meios técnicos e engenharia social. O ataque mira a pessoa, não o sistema.
O fascículo da CERT.br lista os sentimentos explorados: medo, obediência, caridade, carência afetiva e ganância. Os sinais de alerta são ameaças, oportunidade de ganho fácil, desconto muito grande, pedido de sigilo, apelo emocional e senso de urgência. Reconhecer o gatilho é metade da proteção.
Os golpes online mais comuns e como se proteger
1. Falso suporte do banco (golpe da falsa central)
A versão clássica começa com um SMS sobre uma compra suspeita e um número 0800 para “resolver”. Há também ligações em que o golpista se diz da central de segurança e pede dados, senha ou uma transferência. A Febraban orienta que os bancos ligam para confirmar transações suspeitas, mas nunca pedem senha, token ou dados pessoais nessas ligações, e nunca pedem Pix ou transferência para “regularizar” a conta.
Se receber o contato, ignore o número da mensagem, desligue e ligue para o telefone impresso no cartão ou use o aplicativo do banco.
2. Pix induzido e comprovante falso
O golpista convence você a fazer um Pix (falsa venda, falso prêmio, falso parente) ou, no sentido inverso, envia comprovante falso ao vendedor, que entrega a mercadoria sem o dinheiro ter caído. Confirme pagamentos apenas no extrato e confira o nome do recebedor antes de autorizar. Mais detalhes em Pix: como funciona e como se proteger.
3. WhatsApp clonado e falso parente
Há dois formatos. No primeiro, o criminoso pede o código de segurança do aplicativo para replicar a conta e escrever aos seus contatos. No segundo, usa foto roubada e um número novo para pedir dinheiro a familiares sob pretexto de emergência. Os dois aparecem na lista de golpes de celular da Febraban.
Antes de pagar, ligue para a pessoa no número que você já tinha. Nunca informe o código recebido por SMS e ative a verificação em duas etapas do WhatsApp.
4. Phishing por SMS, e-mail e redes sociais
A CERT.br cita como temas recorrentes recadastramento de token, cancelamento de CPF, débitos pendentes, oferta de emprego e pontos a vencer. A página do link é um clone do original. Acesse o serviço digitando o endereço no navegador ou pelo aplicativo oficial, e confirme que a conexão usa https. Códigos QR de origem duvidosa seguem a mesma regra.
5. Loja falsa, boleto adulterado e intermediário
Preço muito abaixo do mercado, ausência de canal de atendimento e pagamento só por Pix são sinais clássicos. A CERT.br recomenda pesquisar a reputação da empresa em redes sociais e sites de reclamações e não aceitar intermediários em compra e venda, nem pagamentos fora da plataforma da compra. Em boletos, confira o nome do beneficiário no aplicativo do banco antes de pagar e verifique o CNPJ na Receita Federal.
6. Falsa renegociação de dívidas (golpe do Limpa Nome)
Sites clonados e perfis que se passam por atendentes prometem “limpar o nome” com desconto absurdo. Segundo o Serasa, o golpe usa tanto contato em redes sociais, com boletos falsos de “taxa”, quanto sites falsos parecidos com o oficial. Pedido de pagamento adiantado, link em mensagem não solicitada e URL diferente de www.serasa.com.br são sinais de alerta. Veja o caminho seguro em como renegociar dívidas e, se a situação estiver mais grave, em como sair das dívidas.
7. Valores a receber
Mensagens dizem que há dinheiro esquecido e cobram taxa para liberar. O Banco Central alertou, em 2023, que o serviço não tem custo, que a consulta é feita apenas no site oficial do órgão e que o BC não envia e-mails nem links e ninguém está autorizado a contatar o cidadão em seu nome. A consulta exige conta gov.br de nível prata ou ouro.
8. Golpe da tarefa e falso investimento
A oferta de ganho fácil em tarefas simples na internet, com pagamento exigido depois, está na lista de golpes de celular da Febraban. Começa com pequenos valores recebidos para ganhar confiança e termina em pedidos de “depósito” para continuar. Retorno garantido muito acima do mercado, saque que só sai após pagar “imposto” e promessa feita por alguém que você conheceu há pouco também são típicos de fraude. O funcionamento dos aplicativos desse tipo é detalhado em como identificar um aplicativo falso de ganhar dinheiro, e alternativas verificáveis estão em aplicativos de renda extra sem investimento.
9. Acesso remoto (“mão fantasma”)
O golpista convence a vítima a instalar um programa que compromete o celular, segundo a lista da Febraban. Por isso, nunca instale aplicativo pedido por telefone, mesmo que o interlocutor pareça ser do banco.
| Golpe | Gatilho | Sinal de alerta | Defesa principal |
|---|---|---|---|
| Falso suporte | Medo | Pede código, senha ou Pix para “proteger” a conta | Desligar e ligar pelo canal oficial |
| Pix induzido | Urgência | Pressa, conta de terceiros | Conferir o recebedor e o extrato |
| WhatsApp clonado | Confiança | Número novo pedindo dinheiro | Ligar para o número antigo |
| Phishing | Curiosidade ou medo | Link para “atualizar” dados | Digitar o endereço do serviço |
| Falsa renegociação | Esperança de sair da dívida | Desconto absurdo, pagamento antecipado | Negociar no canal oficial do credor |
| Valores a receber | Ganho inesperado | Taxa para liberar | Usar só o site do Banco Central |
| Golpe da tarefa | Ganância | Ganho fácil e depósito para continuar | Não pagar para receber |
Regras do Pix que ajudam quem sofreu golpe
- Limite noturno. Segundo o Serasa, o Banco Central definiu limite padrão de R$ 1.000 para Pix no período noturno (20h às 6h). Pedidos de aumento de limite levam ao menos 24 horas para valer. Cada banco permite ajustar o limite no aplicativo, então confira o seu (informação conferida em outubro de 2026).
- Mecanismo Especial de Devolução (MED). A vítima contesta a transação ao próprio banco, que pode bloquear cautelarmente os valores na conta de quem recebeu. Pelo guia do Banco Central, a transação precisa ter ocorrido há no máximo 80 dias. A análise do banco do recebedor dura até 7 dias, e só há devolução se ainda houver saldo.
- Regras novas. Segundo a Agência Brasil, desde 1º de outubro de 2025 a contestação pode ser feita no aplicativo do banco, sem atendimento humano. A devolução também pode vir de outras contas para onde o dinheiro foi enviado (rastreamento), com prazo de até 11 dias após a contestação.
O MED não garante devolução e não serve para desacordo comercial, como produto que chegou fora do prazo ou diferente do esperado. Quanto antes o pedido, maiores as chances.
Checklist de proteção no dia a dia
- Ative a verificação em duas etapas em e-mail, WhatsApp, redes sociais e bancos.
- Use senhas diferentes e longas, de preferência com gerenciador de senhas.
- Nunca informe código de SMS, senha ou token a ninguém, nem a “funcionário do banco”.
- Instale aplicativos só em lojas oficiais e revise permissões.
- Mantenha o celular atualizado e o Play Protect ativo, no Android.
- Confira o nome do recebedor do Pix antes de confirmar.
- Pesquise empresas desconhecidas antes de comprar.
- Combine uma palavra de segurança com a família para pedidos de dinheiro.
Caí em um golpe: o que fazer na primeira hora
- Ligue para o banco pelo canal oficial e bloqueie cartões, contas e acessos suspeitos.
- Se foi Pix, abra a contestação do MED no aplicativo imediatamente.
- Troque senhas a partir de um aparelho seguro e ative a verificação em duas etapas.
- Reúna provas: capturas de tela, números, links, comprovantes e conversas. Não apague nada antes.
- Registre boletim de ocorrência. A CERT.br lembra que ele costuma ser exigido para contestar fraudes e é recomendado em casos de perda financeira e furto de identidade.
- Se foi compra em loja, abra reclamação no consumidor.gov.br, serviço público e gratuito em que as empresas participantes devem responder em até 10 dias, e avise o emissor do cartão.
- Se alguém se passa por você, avise seus contatos e denuncie o perfil na plataforma.
- Acompanhe seus registros financeiros no Registrato, do Banco Central, e fique atento a dívidas ou contas que você não abriu. Veja como funciona o score de crédito.
Erros comuns
- Responder o golpista para “tirar satisfação”: a CERT.br avisa que responder confirma que sua conta está ativa.
- Pagar “taxa de liberação” para recuperar valores perdidos, pois golpistas também se passam por recuperadores.
- Apagar as conversas antes de salvar as provas.
- Esperar dias para avisar o banco.
- Achar que isso só acontece com os outros.
Perguntas frequentes
O banco liga pedindo confirmação de dados?
Pode ligar para confirmar uma transação suspeita, mas não pede senha, token nem dados pessoais, e nunca pede transferência para “regularizar” a conta, segundo a Febraban. Na dúvida, encerre e retorne pelo número oficial.
Consigo recuperar o dinheiro de um Pix de golpe?
Às vezes. O MED permite o bloqueio cautelar e a devolução, mas depende de ainda haver saldo e da rapidez do pedido. Acione o banco imediatamente.
Onde denunciar um golpe online?
Registre boletim de ocorrência (muitos estados têm delegacia virtual), avise o banco e a plataforma onde ocorreu. Conteúdo criminoso na internet pode ser denunciado de forma anônima à SaferNet Brasil, que mantém serviço de denúncias; o Canal de Ajuda da entidade apenas orienta e não recebe denúncias.
Jovens também caem em golpes?
Sim. Os golpes exploram emoções e contextos, como pressa e vontade de ganhar dinheiro, não a idade.
Conclusão
Os golpes mudam de embalagem, mas repetem o mesmo truque: pressa e pedido de algo que nenhuma instituição legítima pede. Hoje, ative a verificação em duas etapas nas contas principais, ajuste o limite do Pix no aplicativo do banco e combine uma palavra de segurança com a família.
Fontes
- CERT.br: fascículo Phishing e Outros Golpes (dez/2022): definição de phishing, emoções exploradas, boletim de ocorrência.
- Banco Central: guia do Mecanismo Especial de Devolução do Pix: prazo de 80 dias e etapas.
- Agência Brasil: novas regras do Pix para devolução em golpes: contestação digital e prazo de 11 dias.
- Serasa: limite do Pix: limite noturno e prazo de aumento.
- Febraban: golpe do 0800: o que bancos não pedem.
- Febraban: golpes aplicados com o celular: tarefa, WhatsApp, acesso remoto.
- Serasa: golpe do Limpa Nome: como funciona e sinais de alerta.
- Agência Brasil: alerta do BC sobre valores a receber: serviço gratuito e sem links.


